Ventos tortos vindo do Oeste: A Mary Poppins pirou!

Evento realizado em 18/01/2015 - Fotos de meladm

Ontem realizei um sonho: assistir Mary Poppins com minha filha, fazendo cabaninha no sofá da sala! Logo na primeira cena, meu pesadelo de anteontem, que estava quase esquecendo: a babá foi embora. Na tela, a Katie Nana larga tudo, pede demissão. Bom, pelo menos ELA comunicou à patroa pessoalmente. Humm, apesar de que ela estava indo embora quando a patroa chegou cantando, né. Rsrs. Vai ver as coisas não mudaram muito.

Eu que sempre segurei as pontas sem babá, me vi ontem desesperada quando a minha folguista simplesmente desapareceu na minha portaria. Pois é. Dá na telha e não há apego que segure. Babás e empregadas domésticas não se apegam. E é sempre depois de um período de férias, feriados prolongados. Acho que ficam lá matutando no ócio. A gente é que se prende a elas. E achava que a “minha” babá era quase uma Mary Poppins. Pelo menos foi como eu a chamei no dia anterior, numa conversa com um amigo. Quanta ironia. E que besta, eu!

Meu marido estava em casa e não deve ter ouvido quando ela chegou. “Amor, a babá chegou? Ela disse que estava aí na porta”, mandei por mensagem. “Já olhei lá fora, interfonei, e ninguém chegou aqui”, respondeu. Foram 40 minutos ligando. Ficamos preocupados! Afinal, São Paulo não está pra brincadeiras e algo tinha acontecido. Só podia.

Estávamos a ponto de ligar pra polícia, quando do alto dos meus 1,64m e de uma fralda de cocô, avisto a seguinte pérola no celular: “Oi Dona Melissa fiquei esperando la embaixo um tempo e resolvi ir embora. Estava ficando muito cansada com dois trabalho.” Desse jeito mesmo, sem pontuação, acentos, sem sentido na minha cabeça. Eu chorei. Juro. E agora? Me recompus do meu apego e logo pensei: vou ligar na agência pedindo outra! Como se fosse carne, que horror. Alguém tão preciso e que perde todo o valor em frações de instantes. Rsrs.

E no alto do desespero, quando não há o que dizer, só mesmo uma palavra: Supercalifragelisticexpialidoxious.

A vontade que dá é de gritar com ela: como você larga meus filhos assim? O que vou dizer pra pequena? Ela vai se sentir como? Rs. Lembro logo da despedida da Mary Poppins, quando as crianças choram e ela diz: “como seria se amasse todas as crianças que cuido?”. É… E logo agora que estava tudo entrando nos eixos. Sério, como faz? Ainda não contamos nada. Apenas que a babá teve que viajar. Segundo meu marido aqui ao lado, irado, para a p… que… bom, deixa pra lá! Rsrs. Não é linguagem que a Mary aprovaria.

E eu sonhando com um cineminha na sexta e uma baladinha sábado. Mas o sábado foi bom. Um “fun day” que começou com o papai enquanto mamãe trabalhava, depois piscina, encontro com amigos e terminando com cineminha em casa. Vendo Mary Poppins! A lição do filme é esplendorosa. Não para pais como nós, talvez, que sempre levantamos as mangas. Mas é um alerta para todos, de que ninguém nos substitui. E que, quando as crianças se sentem amadas, acolhidas e sem muitas cobranças, ou sentindo que os pais não querem “se livrar” delas, nem dão tanto trabalho assim. A rotina flui bem.

Segunda-feira passada, no final da tarde, quando ficamos sozinhos em casa eu, Duda e o bebê, ela, toda feliz, me olhou e disse: “que bom que todo mundo foi pra casa, né? Agora a gente vai poder brincar só eu e você!”. Ai meu coração!

Quem sabe não mudam os ventos amanhã e ele nos traga outra Mary. E aí outra música constante na minha infância me vem à mente: “The sun will come out tomorrow, so you gotta hang until tomorrow, come what may…” Essa é de “Annie”, que está até para ser relançado em breve no cinema. Minha infância foi muito, muito feliz. Repleta de presença e filmes incríveis e recheados de sentido.

E agora chega de papo e “let’s go fly a kite” porque ainda é domigo e dá tempo para curtir um pouco mais os filhotes!

 
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